Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2007

Os Inventores de Palavras

Olá! Lembram-se desta espécie de rubrica, aonde eu pegava em expressões tipicamente portuguesas (e parvas também) e as desmontava, a fim de tentar obter uma resposta para o facto de estas existirem? Aqueles posts do Hades e do Destroca! Sim! Esses! Uau! Que fascinante! Pois é, meus meninos e meninas, estou de volta com essa "coisa" a que chamei Os Inventores de Palavras.
A palavra ou expressão de hoje é a seguinte:

(Põe-te na) Alheta. A expressão "Põe-te na Alheta" ou "Vou-me pôr na Alheta" sempre me suscitou dúvidas e calafrios, pois sempre ouvi as pessoas dizerem isto para se referirem ao momento em que se iam por a andar do local de onde estavam. Bom, intrigado sobre o significado desta palavra tão estranha, resolvi investigar. E o que é que eu descobri? Perguntam vocês, fazendo de conta que estão interessados. Descobri isto, e que lindo que é. De acordo com aqueles senhores que gostam de andar naqueles barquinhos que são puxados pelo vento por intermédio de uma vela, ai pá, como é que se chamam? Até há uma taça muito conhecida dessa modalidade que até esteve para ser em Lisboa mas acabou por ir parar a Valência... ah! Já me lembrei! Vela. Isso mesmo, tem o mesmo nome daquelas coisinhas que muitas pessoas vão meter a queimar em Fátima, ah não, espera, isso são velinhas, mesmo que tenham meio metro de altura, são velinhas, pelo menos sempre ouvi dizer " vou a Fátima pôr uma velinha". Ao passo que nunca ouvi dizer " vou a Fátima pôr uma vela". Mas adiante, já enchi chouriços suficientes para uma feira de enchidos lá para os lados de Trás-os-Montes. Mas voltando à Alheta propriamente dita, de acordo com os senhores da vela (dos barcos, não de Fátima, essa é velinha), esta é pura e simplesmente e passo a citar: "Parte da embarcação entre a proa e o través". Perceberam? É que eu não. Será que quando alguém diz: "Vou-me pôr mas é na alheta" estará a querer dizer "Olha, vou-me pôr mas é naquela parte da embarcação que se situa entre a proa e o través." Será? Bem, de facto, nós portugueses sempre fomos grandes, no que a navegação diz respeito, e sempre fomos um país ligado ao mar...e à Alheta. Mas como não me convenceram com esta coisa da "parte da embarcação que se situa entre a proa e o través", resolvi investigar um pouco mais e descobri a ALHETA (Asociación Española de Lucha Contra las Hemoglobinopatias y Talasemias). Hmmmm...estou desconfiado que não deve ser isto...isto parece ser coisa má, assim de doenças e as pessoas quando dizem que se vão pôr na Alheta ficam todas contentes da vida, já para os nuestros hermanos pôr-se na Alheta não me parece que seja uma coisa lá muito boa...após mais umas pesquisas, descobri que uma Alheta também podia ser o, e passo a citar: "debrum usado no alto da manga do gibão". Será que o pessoal gosta é de se meter no debrum usado no alto da manga do gibão? Mas o que é um debrum? E um gibão? Hum? Bem, debrum é isto: "
fita ou tira de pano que se dobra e cose sobre a orla de um tecido ou de uma peça de vestuário, para o enfeitar ou para lhe segurar a trama". E um gibão? " vestidura antiga, que cobria o corpo, desde o pescoço à cintura" ou isso ou "macaco antropóide". Então será que eu ao dizer "Vou-me pôr na fita de pano que se dobra e cose sobre a orla de um tecido ou de uma peça de vestuário, para o enfeitar ou para lhe segurar a trama, isto acompanhado de um macaco antropóide"? Não me parece, acho demasiado estúpido para ser verdade, mas enfim, a própria expressão "pôr-me na Alheta" já é estúpida o suficiente, por isso, o mistério sobre a origem desta bela expressão vai-se manter. Bom, aproveito para me pôr na Alheta, não num barco, nem em Espanha, e muito menos acompanhado de macacos antropóides...só na Alheta, e chega...
sinto-me: na Alheta
Músicas, cantigas, melodias e seus semelhantes: In The Navy, Village People
Escrito por: João Cacelas às 13:54
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6 comentários:
De paulago111@hotmail.com a 20 de Dezembro de 2007 às 19:31
Dizes bem João! Fomos um país ligado ao mar, mas qt à Alheta não fomos SOMOS!!


De João Cacelas a 20 de Dezembro de 2007 às 19:37
Tens razão, são ministros que se poem na alheta, dirigentes, sempre que algo corre mal, toca de se pôr na alheta.


De Indíviduo que deseja colocar um comentário, mas que como é envergonhado e tímido, prefere manter assim o anonimato... a 20 de Julho de 2011 às 17:52
Boa tarde,
Procurava o significado da expressão também intrigado com a sua origem, li um pouco aqui pela internet e deparei com uma imagem que julgo explicar o significado da expressão.

Quando ao velejar  se tem o vento a favor isto é de popa surgem várias formas de o designar o vento a favor do tipo popa rasa em que vai directo a popa ou então pode incidir na alheta o que significa incide na zona muito bem descrita por si.
por algum motivo a expressão ganhou relevância no português.
Não sei se por ser um vento caracteristico para os antigos navegadores se deslocarem para terra ou para alto mar, de notar que de navegação não percebo nada.
Assim a expressão deveria ser apanhar o vento na alheta, o que não sei porquê não me soa bem!
assim julgo que quando o vento era favorável os marinheiros utilizariam a expressão vou-me por na alheta de forma a se dirigirem numa direcção especifica.
assim a expressão entoru no nosso léxico.


De Mário Fonseca a 24 de Maio de 2012 às 11:05
Quando trabalhei como desenhador projetista, aprendi que, alheta era o remate em negativo no topo das paredes interiores junto ao tecto. Este remate permite que mais facilmente se pinte o tecto e depois a parede com melhor acabamento. Sem este remate, ao pintar a parede, pinta-se o tecto também. Sempre percebi o significado de "por-me na alheta" com este sentido: "sair do meio da sala e ir para o cantinho mais longe possível"... será possível? ;)


De andam no mar a 6 de Agosto de 2012 às 18:05
Alheta e Amura partes laterais duma embarcação Na Alheta (perto da Ré) é colocada a escada portaló, para desembarcar.
Então os marinheiros atravessam a Alheta para irem para terra. Também se fartam de mar. Vou me pôr na Alheta - Vou para terra.


De Rodrigo Pereira a 8 de Abril de 2016 às 10:52
Parece me logico...


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