Segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

O Twitter

Olá, coisos. Vamos falar do Twitter? Eu sempre perguntei a mim próprio para que serviria o Twitter e o porquê do seu sucesso e como não há melhor forma de saber para que serve uma coisa, a não ser experimentando-a, lá pus mãos à obra e abri uma conta que acabo agora de apagar, apesar de me ter aparecido um passarito a chorar, perguntando "this is really the end?", notoriamente desolado pelo fim da minha relação com o Twitter. Isso resulta com gatinhos ou bebés, com pássaros azuis nem por isso.
Esta é aquela parte em que eu escrevo quais as conclusões a que cheguei e para que é que serve o Twitter. Basicamente, o Twitter não serve para rigorosamente nada.
Note-se que assim que o estarola que escreve estas linhas aderiu ao pássaro azul, surgiram de imediato uns três ou quatro "followers", ávidos de saber a que horas se processa a minha actividade fecal, a que horas vou para a caminha ou ainda quantas vezes ao dia digo a palavra "equitativamente". Só coisas de grande interesse.
"Ah, mas o Twitter é fixe é para saber coisas sobre os famosos e não sei o quê", pensará o leitor, "twitteriano inveterado" (coisa que não condeno veemente, fico-me apenas pela troça a bandeiras despregadas).
Pois, porque saber a que horas o Nuno Markl ou a não sei quem produzem a sua matéria fecal, ou saber que às 16 horas de uma quarta-feira se sentem ligeiramente aborrecidos ou que acordam às 7 da matina para ir trabalhar ou que compraram um caniche novo que deixa o chão da casa com mais "minas" que muito terreno baldio de Angola já são coisas de interesse superlativo...
Mas afinal, para que serve o Twitter e o que lá se faz? Vamos por partes, como o Jack, o Estripador:
Na verdade, ninguém sabe ao certo para que serve o Twitter. O argumento mais usado pelos "twitterianos" é que o Twitter é o "que se faz com ele". E isto, é muito sucintamente, uma forma mais poética de se dizer "eu não sei para que porra serve isto, uso porque toda a gente usa". Note-se ainda que quando alguém diz que uma coisa "é o que se faz com ela", isso significa que essa mesma coisa não tem qualquer utilidade.
O que é que se faz quando se juntam vários ingredientes dentro de uma panela? Cozinha-se. O que é que se faz quando se escreve um texto para publicar num blog? Escreve-se um post.  O que é que se faz com um cd do Tony Carreira? Parte-se. E o que se faz no Twitter? "Twita-se". Que é outra linda forma de dizer "eu não sei bem o que fazer com isto".
Manda-se mensagens com poucos caracteres? Uuhh, que novidade...é isso e o SMS e a roda. Posta-se notícias em primeira mão ou diz-se coisas porque nos apetece? Existem uma coisas chamadas internet e blogues, que também são acessíveis por telemóvel (e nos blogs também se pode escrever com poucos caracteres) e que já fazem isso há uns anitos.
E pronto, coisinhos do Twitter, desculpem lá se feri as vossas susceptibilidades mas daqui a uns anos ainda me vão dar razão porque em última análise, o Twitter é mais ou menos como os penteados e roupas dos anos 80. Toda a gente usava e era a coisa mais"cool" do mundo, mas o tempo mostrou que afinal não era bem assim...
Escrito por: João Cacelas às 11:35
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Sábado, 24 de Outubro de 2009

Mickael Carreira e a duração mais ou menos coisa do amor

Reparei há pouco que O Hemiciclo fez no passado dia 17, dois anos de vida. Seguindo aquela moda muito maluca de comemorar os aniversários passado quase uma semana depois de se ter feito anos(para quando dá mais jeito à malta ficar bêbeda), vamos então celebrar o segundo aniversário do Hemiciclo, um lugar que anda há dois anos a tornar a blogosfera num sítio muito...pior.
E há lá melhor forma de celebrar do que com um post sobre Mickael Carreira? Haver até há, mas as mulheres nuas e os anões saíam um bocado caros, de maneira que se optou pelo Mickael. Sem mais demoras vamos ao que realmente interessa.
Nas próximas linhas, o caro leitor vai assistir a toda uma série de comentários que com a ajuda de Deus Nosso Senhor, hão-de ser muito giros. E mesmo que ele não queira, também vão ser. Isto era mais para nos lembramos de Deus, que Ele tem sido tão esquecido nas últimas semanas.
Seguindo a linha do seu pai (e dos outros tipos a quem o Tony "sacou" algumas músicas), Mickael Carreira apresenta-nos "Até o Mundo se acabar", uma canção bem romântica e com muita paixão à mistura.
A coisa até começa bem, com um "Tu és o Anjo dos meus sonhos/ a luz eterna dos meus olhos" e mais coisas do género. Tirando as rimas feitas a martelo, característica comum ao seu pai, Tony (e aos tipos a quem este "sacou" algumas músicas), até nem vai muito mal, até que Mickael diz à sua amada que ela é "Tudo o que eu quero até o mundo se acabar/ És tudo o que eu quero, para mim/Tudo o que eu quero, sem fim/Tudo o que eu quero até ao fim do verbo Amar". E é aqui que Mickael Carreira faz história, ao dar uma resposta concreta à velha questão do "até quando me irás amar?", definindo com toda a certeza a validade do amor que sente pela sua amada, que é nem mais, nem menos, que até ao fim da conjugação do verbo Amar, o que tendo em conta que existem 14 formas diferentes de conjugar este verbo, são mais ou menos 30 minutos de amor.
Note-se que há uma parte em que o jovem Mickael ainda atira um "és tudo o que eu quero até o mundo se acabar", mas, como isso ainda é coisa para demorar o seu tempo, lá se decide pelo fim do verbo Amar. O amor de Mickael Carreira pela sua amada também poderia durar até ao minuto 24 do terceiro episódio da quarta temporada da série "Serviço de Urgência" ou até meio da viagem Lisboa-Porto pela A1, mas por acaso dura até ao fim do verbo Amar. Calhou. 
Ao trocar o fim do verbo Amar pelo fim do mundo, Mickael mostra à sua amada que sim, senhor, gosta dela, mas só porque num futuro próximo não se avizinha nada de interessante. Uma coisa do género: "escuta lá, eu até te curto e tal, mas se no fim-de-semana que vem a TVI fizer uma maratona de Steven Seagal, troco-te pela maratona que é um instante e deixo logo de gostar de ti, ouviste? E quem diz o Steven Seagal, diz o Van Damme, que é outro que aprecio muito".
A maior parte das pessoas não sabe até quando o seu amor durará (excepto aquela parcela que acredita que o amor é como um fósforo: só dura enquanto há pau), mas Mickael Carreira - uma mente iluminada - tem a certeza que enquanto houver verbo Amar para conjugar, ele terá muito amor para dar.
E agora fico à espera de um dueto entre Mickael Carreira e André Sardet, onde juntos irão meditar sobre o aspecto espaço-temporal do amor e espetá-lo numa música, naquele que será um momento de rara beleza. Ou se calhar não. Mas que vai ser um momento, isso é certo. 
Escrito por: João Cacelas às 22:02
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Quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

A saga Twilight e os príncipes encantados ou porque raio me lembrei eu disto?

Olá aos dois. Por mais que tente não consigo entender o porquê do estrondoso sucesso da saga "Twilight".
Que me perdoem as fãs, mas a ideia de uma espécie de triângulo amoroso entre uma rapariga humana (que depois se torna vampira), um vampiro (que parece que é vegetariano, o que me parece um bocado antagónico, tipo um psicopata pacifista ou um benfiquista portista) e um lobisomem não é coisa que me puxe muito para ler. É que a escolha nem é muito difícil: eu se fosse à moça ficava antes com o vampiro que sempre sai mais barato comprar um litro de sangue no talho ou fazer uma cabidela do que comprar Frontline para as pulgas e carraças.
Mas, não é para troçar da saga "Twilight" que este texto existe. Estou aqui porque esta série de livros veio alimentar uma esperança em todas as suas fãs: a esperança de um amor impossível e do príncipe encantado (ou vampiro, para as mais sádicas) que chegará no seu cavalo branco para as levar para um mundo de sonho, onde tudo é colorido e muito bonito.
Meninas (e alguns meninos): esqueçam os príncipes encantados e os cavalos brancos (no caso da Cicciolina, pode ficar com o cavalo). Os príncipes também não gostam de ir às compras (até pagam para que o façam por eles); também deixam a casa-de-banho a cheirar mal (e o cavalo então...é cocó aos montes); também não colocam uma base sob os copos quando estão a ver a bola; não sabem cozinhar nem fazer tarefas domésticas (sempre as fizeram por eles); também deixam a roupa suja por todo o lado (sempre tiveram quem a apanhasse).
Em suma, a única diferença entre o príncipe encantado e o homem comum é que um anda de cavalo e o outro de carro ou mota (a não ser que o homem comum seja campino, residente em Samora Correia, Alcochete, Salvaterra de Magos e Chamusca). E até aí, o príncipe não tem vantagem nenhuma: o cavalo não tem tejadilho para os dias de chuva, não tem faróis de nevoeiro, aliás, não tem faróis de qualquer espécie, cinto de segurança, rádio, ar condicionado, anda relativamente devagar e ainda por cima, a sua flatulência polui quase tanto como um carro (e cheira mal), com o bónus de espalhar cocó pelo chão de dois em dois metros. Onde é que está o encanto disto? É só publicidade enganosa.
Vá, deixem lá de se lamentar pelos cantos que são infelizes e que ninguém vos quer, deixem de esperar pelo príncipe encantado e dêem uma oportunidade ao tipo de Famel-Zundapp que passa por vocês todos os dias e vão ver que volta e meia ele até é um tipo às direitas.
Mesmo que não seja perfeito, sempre o podem moldar à vossa vontade que nós (homens) somos fáceis de domesticar. Mesmo.
 
Escrito por: João Cacelas às 13:19
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Terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Normalizem lá isto, ó UE e restantes autoridades

A Maitê Proença, a polémica do Saramago, a formação do novo Governo, o possível regresso do Jornal de Sexta da TVI (medo)...com tanta coisa a acontecer no país ( e no mundo) e eu lembro-me de escrever um post sobre normas da UE. Sim, isso mesmo, normas (APA, ISO, etc..). Aquelas regras/preceitos/por vezes meras mariquices que a UE cria e que têm que ser cumpridas porque se a ASAE ou a ACT aparecem e nada disso está feito é que é a bonita.
Tudo bem, convém que existam algumas regras e normas que devem ser cumpridas para que não andemos todos a chafurdar na javardice (ou como diriam os grandes Ena Pá 2000, a pedalar na bosta), mas não será demais?
Há procedimentos próprios que têm que ser feitos quando se rala uma cenoura ou se corta um alho num restaurante; têm que se fazer formações por tudo e por nada (até já os varredores têm que o fazer); em suma: está-se a chegar a uma altura em que esta coisa das formações e das normas começa a extrapolar para o plano da parvoíce. Até para espirrar já há normas e procedimentos. Se isto continua assim, qualquer dia até para a nossa vida privada temos que ter formações e normas actualizadas.
Se o caro leitor quiser fazer o seguinte raciocínio comigo - sim, eu sei que custa, mas só um bocadinho não aleija - puxe do seu neurónio e imagine que está no bem bom com a/o sua/seu namorada/o e de repente aparece uma inspecção da ASAE saída do armário e lhe pergunta se você e o ser humano (esperemos) com quem está a praticar o amor têm formação para realizar manobras de carácter sexual, de acordo com a norma europeia ISO - 1234569/8, "isto está tudo muito bonito, mas aqui diz que os senhores não podem fazer a posição frango assado porque a formação que fizeram não abrange essa posição", diz o fiscal com altivez.
Ou que lhe passam uma valente multa porque "a inclinação do seu pénis em erecção não corresponde à estandardizada pela norma ISO - 4596969/4, de maneira que vamos ter que lhe suspender a actividade sexual até isso estar regularizado, está bem?" 
"Ah, ainda por cima são três, quando aqui específica que o limite são duas pessoas! Ui que temos a tenda armada! E a senhora faça o favor de tirar daí a boca porque pelo que estou a ver não tem a norma APA que lhe permite fazer esse tipo de coisa. Vêm para aqui com o «ai, ai, vamos fazer molhadas e coisas giras com a boca», mas depois não têm documentação nenhuma em dia. Vamos ter que passar uma coima e suspender a actividade, ok? E a senhora vai com sorte, que eu vou fechar os olhos quanto ao sítio onde tinha a boca", remata o fiscal com algum escárnio.
Era chato, não era?
E ainda querem legalizar a prostituição em Portugal...estou mesmo a ver como seriam as formações fornecidas pela UE às/os prostitutas/os. E é melhor que as formações/licenças para as posições sexuais venham em pacotes porque se for uma a uma, chiça penico.
"Mas que grande anormal me saiu este tipo", pensam 99% dos leitores deste texto (os restantes 1% preferem o termo "besta"). Pois sou, mas antes isso do ser normal(izado), como cada vez mais acontece na nossa sociedade (especialmente na blogosfera).
Escrito por: João Cacelas às 23:12
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Sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

Fatias finíssimas de ironia (e volta e meia algum escárnio)

Olá. Antes de começar com isto queria agradecer a todos os leitores do Hemiciclo que se preocuparam a ausência um pouco prolongada aqui do estarola que escreve estas linhas. Não se preocupem, estou bem, não fui atropelado por um camião de recolha de lixo e muito menos por um Segway, mas agradeço os milhares de comentários que enviaram, desejando saber do meu bem-estar.
Quero também agradecer à Peixe Frito por achar que este blog é viciante, o que se comprova pelos inúmeros comentários que fizeram durante a minha ausência. 
Terminando com a ironia de fino recorte* e passando a coisas mais sérias, tais como o motivo da minha ausência, tenho a dizer-vos que tal se deve pura e simplesmente a uma coisa chamada de trabalho, esse bicho que faz tanta espécie a muito e bom português.
E isto fez-me pensar: "é pá, ó João, mas tu queres ver que quem anda todo o santo dia de volta do seu blog, actualizando-o de hora a hora, não faz nenhum?*" De maneira nenhuma. Faz muita coisa, mas se calhar não é bem aquilo para que foi contratado. "E será que a blogosfera tem alguma coisa a ver com os fracos índices de produtividade do nosso Portugal?" Tem lá agora. Agora sim, a ironia de fino recorte termina mesmo.
Outra coisa que me inquieta sobremaneira é o Facebook. Muita boa gente deixou de ir ao Hi5, passando apenas a frequentar o "Livro das Caras" com base no poderoso argumento de que: "o Hi5 é para míudos". Sim, porque ter uma quinta virtual, saber se fomos uma rameira ou um calceteiro numa vida passada ou desafiar os nossos amigos para uma partida de Tetris, a ver se eles fazem uma pontuação maior que a nossa já é coisa de adulto...
Voltarei sempre que possa e essas coisas todas, coisos.

* Note-se que o parágrafo que menciona a Peixe Frito não levou com essa malandra que é a ironia.
** Note-se que não incluo nesta lista pessoas que por azar ou por opção pessoal estão desempregadas. Isso e quem trabalhe por conta própria.

 

Escrito por: João Cacelas às 14:16
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