Terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

Os sabores das batatas fritas ou uma espécie de analogia parva sobre a artificialidade vigente na sociedade contemporânea

Olá. Apesar de ser um jovem para a vida, ainda sou do tempo em que havia apenas um ou dois sabores de batata frita: as normais (com sal) que eram lisas ou onduladas e as com sabor a presunto e a verdade é que estes dois sabores chegavam muito bem.
Após o "boom" das águas com sabores, assistimos agora ao "kaboom" dos sabores de batata frita.
Temos desde coisas relativamente simples, mas ainda assim parvas, como o sabor a tosta mista (ora, para isso compro pão que me sai mais barato...), com sabor a ketchup, barbecue, tomate, salsa...a coisas mais parvas como frango assado no forno, cebola caramelizada com não sei o quê até àquele que eu considero o expoente máximo da parvoíce no que a sabores de batata frita diz respeito: o sabor a lima. Batas fritas com sabor a lima? E no meio disto tudo, só apetece perguntar: então e as batatas fritas com sabor a batata, pá?
O que se seguirá a seguir? Batata frita com sabor a chanfana? A bacalhau? Batatas com sabores conceptuais, como a alma, a tristeza ou a alegria?  Pelo andar da coisa, daqui a uns anos acontecerá isto:
- Bom dia, queria um pacote de batatas fritas...
- Bom dia, e qual dos 7500 sabores vai desejar? Os que têm tido mais saída são o sabor a melancia...o éter também vende muito benzinho...a batata frita com sabor  a metanfetamina também tem muita saída, mas é mais à noite...e temos agora um sabor novo, que é uma invenção completamente ousada!
- Ai sim? E que sabor é esse?
- São batatas fritas com sabor a batata! O que estes homens inventam!
É pá, quanto a vocês eu não sei, mas eu não quero educar os meus filhos num mundo onde não haja batatas fritas com sabor a batata...
E reparem que esta artificialidade da comida, a que uns chicos-espertos tomaram a liberdade de chamar "gourmet", não se cinge apenas ao universo da batata frita. Ainda há dias vi uma coisa genial: mozarela de soja.
Ora, sabendo eu que a mozarela é proveniente do leite de búfala e que a soja é um vegetal, como é que isto se processa? As búfalas agora também dão soja? Ou é a soja que agora também dá leite de búfala?
Não deixa de ser curioso que um produto que é direccionado para vegetarianos, seja do mais artificial que há. Aliás, praticamente tudo o que é comida para vegetarianos é mais artificial que os seus correspondentes "originais", ou seja, que não tenham soja (excepto os vegetais, claro).
É claro que mais de metade dos vegetarianos também o são apenas por uma questão de moda...
Enfim, mas quem diz mozarela de soja podia dizer chouriço de soja, leite de soja, enfim...há tudo e mais alguma coisa de soja.
Outra coisa gira que vi há dias é uma espécie de natas, mas que não são bem natas. No entanto, é garantido que sabe a natas (é o que diz no pacote). Ora, excluindo os alérgicos à lactose, que não são assim tantos (e os so called vegetarianos), quem é que vai comprar uma coisa que não é natas, mas que sabe a natas e que custa o dobro do preço?
E se isto se alastra a todos os produtos alimentares? Qualquer dia estamos a comer um bacalhau com natas que não leva natas, nem batatas e muito menos bacalhau, mas no entanto sabe a bacalhau com natas. Mas com a breca, isto deixa de ser bacalhau com natas, camandro! Quem degusta algo com prazer não se fica pelo sabor, há o aroma, a textura, as cores...e não me parece que com batata frita com sabor a lima ou com mozarela de búfala e com um bacalhau com natas que na verdade não é bem bacalhau com natas, visto que não leva nenhum dos ingredientes existentes na receita, mas que no entanto sabe a bacalhau com natas se possa desfrutar do que se come. Sei que é confuso e vou parar por aqui (até porque a missa já vai mais longa que o desejável).
Dizem que o que comemos se reflecte em nós próprios. É certo que sim, mas penso que vai ainda mais longe: reflecte-se também no "estado de saúde" da nossa sociedade que tal como a comida, é cada vez mais artificial e só não apodrece porque está carregadinha de "conservantes" e outras coisas que tais que lá vão disfarçando (ou adiando) o "fedor" e a "podridão".

 

Músicas, cantigas, melodias e seus semelhantes: Chiclete, Táxi
Escrito por: João Cacelas às 09:10
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Segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

O Twitter

Olá, coisos. Vamos falar do Twitter? Eu sempre perguntei a mim próprio para que serviria o Twitter e o porquê do seu sucesso e como não há melhor forma de saber para que serve uma coisa, a não ser experimentando-a, lá pus mãos à obra e abri uma conta que acabo agora de apagar, apesar de me ter aparecido um passarito a chorar, perguntando "this is really the end?", notoriamente desolado pelo fim da minha relação com o Twitter. Isso resulta com gatinhos ou bebés, com pássaros azuis nem por isso.
Esta é aquela parte em que eu escrevo quais as conclusões a que cheguei e para que é que serve o Twitter. Basicamente, o Twitter não serve para rigorosamente nada.
Note-se que assim que o estarola que escreve estas linhas aderiu ao pássaro azul, surgiram de imediato uns três ou quatro "followers", ávidos de saber a que horas se processa a minha actividade fecal, a que horas vou para a caminha ou ainda quantas vezes ao dia digo a palavra "equitativamente". Só coisas de grande interesse.
"Ah, mas o Twitter é fixe é para saber coisas sobre os famosos e não sei o quê", pensará o leitor, "twitteriano inveterado" (coisa que não condeno veemente, fico-me apenas pela troça a bandeiras despregadas).
Pois, porque saber a que horas o Nuno Markl ou a não sei quem produzem a sua matéria fecal, ou saber que às 16 horas de uma quarta-feira se sentem ligeiramente aborrecidos ou que acordam às 7 da matina para ir trabalhar ou que compraram um caniche novo que deixa o chão da casa com mais "minas" que muito terreno baldio de Angola já são coisas de interesse superlativo...
Mas afinal, para que serve o Twitter e o que lá se faz? Vamos por partes, como o Jack, o Estripador:
Na verdade, ninguém sabe ao certo para que serve o Twitter. O argumento mais usado pelos "twitterianos" é que o Twitter é o "que se faz com ele". E isto, é muito sucintamente, uma forma mais poética de se dizer "eu não sei para que porra serve isto, uso porque toda a gente usa". Note-se ainda que quando alguém diz que uma coisa "é o que se faz com ela", isso significa que essa mesma coisa não tem qualquer utilidade.
O que é que se faz quando se juntam vários ingredientes dentro de uma panela? Cozinha-se. O que é que se faz quando se escreve um texto para publicar num blog? Escreve-se um post.  O que é que se faz com um cd do Tony Carreira? Parte-se. E o que se faz no Twitter? "Twita-se". Que é outra linda forma de dizer "eu não sei bem o que fazer com isto".
Manda-se mensagens com poucos caracteres? Uuhh, que novidade...é isso e o SMS e a roda. Posta-se notícias em primeira mão ou diz-se coisas porque nos apetece? Existem uma coisas chamadas internet e blogues, que também são acessíveis por telemóvel (e nos blogs também se pode escrever com poucos caracteres) e que já fazem isso há uns anitos.
E pronto, coisinhos do Twitter, desculpem lá se feri as vossas susceptibilidades mas daqui a uns anos ainda me vão dar razão porque em última análise, o Twitter é mais ou menos como os penteados e roupas dos anos 80. Toda a gente usava e era a coisa mais"cool" do mundo, mas o tempo mostrou que afinal não era bem assim...
Escrito por: João Cacelas às 11:35
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