Numa altura em que a selecção nacional portuguesa atravessa um momento delicado e polémico, com a possível não qualificação para o Campeonato do Mundo de 2010, na África do Sul, o Hemiciclo foi falar com o treinador do Inter de Milão, José Mourinho para ouvir o que este acha do actual momento da equipa das quinas. Vamos ver:
- O Hemiciclo: Bom dia José Mourinho, antes de começarmos, deixe-me que lhe diga que é um prazer estar a entrevistá-lo hoje.
- José Mourinho: Bom dia, penso que o prazer é de facto, todo seu e permita-me dizer-lhe ainda que não é você que me está a entrevistar, mas sim que sou eu que lhe estou a dar as minhas respostas...
- O Hemiciclo: Mas e isso não é a mesma coisa?
- José Mourinho: Não, não é. Lá estão vocês, os da imprensa, sempre a deturpar o que eu digo. Já quando sai do Chelsea, disseram que eu fui despedido quando na verdade fui eu quem despediu o Chelsea e os 30 milhões de Euros que me deram quando saí de lá não foram uma indemnização, mas sim um agradecimento pelo magnífico trabalho que eu fiz com o Chelsea...
- O Hemiciclo: Passando ao que interessa: como é que o José Mourinho vê a situação da selecção portuguesa?
- José Mourinho: Ora, vejo com os olhos. Vocês jornalistas só fazem perguntas parvas.
Após a goleada sofrida frente ao Brasil, por expressivos 6-2, a contestação à volta de Carlos Queiroz tem vindo a aumentar de tom, dia após dia. O Hemiciclo entrevistou o seleccionador nacional para compreender o que vai mal na Selecção Portuguesa.
- O Hemiciclo: Bom dia professor Queiroz, o que é que falhou frente ao Brasil?
- Carlos Queiroz: Muito sinceramente, continuo sem entender o porquê de tanta crítica ao nosso trabalho. Sim, é verdade que perdemos 6-2 frente ao Brasil, mas houve vários pontos positivos a retirar desta partida...
- O Hemiciclo: Quais professor?
- Carlos Queiroz: Olhe o golo do Brasil, aquele do Elano, por exemplo. Foi ou não foi um belo golo? Já é um ponto positivo. Também gostei muito da jogada para o terceiro golo do Brasil, futebol bonito, bem jogado, positivo...
- O Hemiciclo: Já que mencionou o futebol bonito...essa não foi uma das promessas aquando da sua chegada à Selecção? A de proporcionar futebol bonito aos adeptos?
- Carlos Queiroz: E vai-me dizer que não tenho conseguido? Desculpe mas se o jogo que o Brasil fez contra nós não foi bonito, então não sei o que seja futebol bonito...
- O Hemiciclo: Mas professor, os adeptos certamente desejariam ver futebol bonito, mas praticado em Portugal...
- Carlos Queiroz: Desculpe, mas não posso concordar consigo. Os nossos adeptos têm visto futebol muito bonito em Portugal, quer um exemplo? No jogo contra a Albânia: foi ou não foi bonito ver uma selecção de nível medíocre como a Albânia a jogar com apenas dez jogadores e ainda assim a conseguir fazer frente a Portugal, com algumas jogadas bem interessantes? Eu acho que foi bonito. Olhe a Dinamarca: que em 3 minutos deu a volta ao jogo em Alvalade, outro exemplo de futebol bonito.
- O Hemiciclo: Pois...
- Carlos Queiroz: E digo mais: porque é que acha que em todos os jogos da Selecção o Miguel Veloso aparece com um penteado novo? Isso não mencionam vocês! Nem o facto dos jogadores terem que usar maquilhagem nos jogos. Isto tudo é em nome da beleza do futebol! Eu já fiz mais pelo futebol bonito em Portugal nestes meses do que o Scolari nos 6 anos que cá esteve!
- O Hemiciclo: E por falar em Scolari, o que acha das comparações que a imprensa tem feito em relação ao seu trabalho na selecção com o de Scolari?
- Carlos Queiroz: Desculpe, mas sobre isso não falo. Não me fale de Scolari por favor.
- O Hemiciclo: Mas foi o professor quem mencionou o nome de Scolari...
- Carlos Queiroz: Não me lembro disso... e olhe que tenho uma óptima memória, é por causa de uns comprimidos que ando a tomar. Aquilo é uma maravilha.
- O Hemiciclo: Pois. Mas professor, afinal o que tem falhado na Selecção?
- Carlos Queiroz: O principal problema com que me tenho deparado tem sido a barreira da linguagem...
- O Hemiciclo: Fala de Pepe e Deco, os naturalizados?
- Carlos Queiroz: Não, não. Falo do Maniche, do Bosingwa, do Cristiano Ronaldo, do Danny e do Hugo Almeida. Você já os ouviu a falar alguma vez? E para lhes tentar explicar o que quero que façam? Gostava de saber como é que o raio do brasuca conseguia pá...
- O Hemiciclo: Mas no caso de Ronaldo...se bem me lembro, o professor já o treinou em Manchester...
- Carlos Queiroz: Mas em Manchester tinha a ajuda do ex-cunhado dele, que serve como intérprete do Cristiano no clube, daí ele jogar muito bem lá e aqui (na Selecção) não fazer nada de jeito.
- O Hemiciclo: Faz sentido...então e como é que o professor pensa em dar a volta à actual situação da Selecção?
- Carlos Queiroz: É como lhe digo: há que resolver este grande problema que temos, da barreira da liguagem...
- O Hemiciclo: E como está a pensar resolver isso?
- Carlos Queiroz: Já falei com os responsáveis da FPF e decidimos que o melhor a fazer é inscrever o Danny, o Hugo Almeida, o Ronaldo, o Bosingwa e o Maniche no programa Novas Oportunidades, para aprenderem português. O presidente Madaíl já falou com o Primeiro-Ministro, que achou boa ideia, já nos comunicou que quer fazer uma cerimónia para assinalar o facto, onde irá distribuir alguns Magalhães pelos jogadores da Selecção, aproveitando assim para mais uns momentos de publicidade gratuita aos pequenos computadores.
- O Hemiciclo: Bom, professor, muito obrigado pela entrevista e desejo-lhe a maior sorte do mundo com a Selecção e que consiga o apuramento para o Mundial.
- Carlos Queiroz: Ora essa, obrigado eu, e já agora... se me permite fazer-lhe um pedido... seria pedir muito se me desenhasse uma baliza com um guarda-redes? Era para tentar explicar ao Hugo Almeida que é para ali que ele tem que rematar a bola para marcar golo e não para a bancada como faz sempre.
Após a detenção de vários elementos dos No Name Boys (foram apreendidas armas, muita droga e alguns ursinhos de peluche), o tema "as claques de futebol são violentas?" tem estado na ordem do dia em tudo o que é imprensa.
O Hemiciclo, tentando sempre manter-se ao nível das grandes referências do jornalismo mundial (24 Horas, O Crime, O Diabo e o programa do Goucha quando lá vai o tipo dos crimes),conseguiu uma entrevista exclusiva e que promete ser bombástica: acompanhámos o dia-a-dia de um elemento de uma claque de futebol. Vamos ver:
- O Hemiciclo: Bom dia, então como começa o dia de um elemento de claque de futebol?
- Cajó: Olhe, antes de mais, desejo-lhe um muito bom dia e fico-lhe muito agradecido por ter tido a gentileza de se ter lembrado de mim para fazer esta entrevista, fico mesmo muito agradecido, mas em relação à questão que me colocou...normalmente o meu dia começa por volta das 6.30 da manhã, que é quando a minha mãezinha me vai acordar à caminha.
- O Hemiciclo: Acorda bastante cedo...é para ir trabalhar? Ou é daquelas pessoas que antes de sair para o emprego gosta sempre de fazer um pouco de jogging?
- Cajó: Não, não, é mesmo é para ver o Pokemon, na SIC. É que aquilo começa às 8 e entre acordar, comer, tomar banhinho e escolher a roupa para vestir o tempo passa num instante. É mesmo para conseguir ver o Pokemon a horas.
- O Hemiciclo: Hmm, interessante...então e o que é que o Cajó faz na vida? Tem emprego? Mulher? Filhos?
-Cajó: Tenho um emprego como guarda nocturno, o que até me custou ao início porque tenho medo de escuro mas desde que passei a levar o Tom comigo que me sinto mais seguro...
- O Hemiciclo: Quem é o Tom? O seu cão?
- Cajó: Não, não. É o meu ursinho de peluche, tenho-o desde os meus 7 anos. É o meu melhor amigo e protector.
- O Hemiciclo: Um urso de peluche melhor amigo e protector?! Mas você é elemento de uma claque de futebol ou é um choné menino da mamã?!
- Cajó: N-n-nnn-ããa-oo-oo, eu sou mesmo de uma claque...
-O Hemiciclo: Então porque raio é que só me fala do Pokemon, que tem medo do escuro, que tem um urso de peluche que o protege...eu estava à espera de outra coisa Cajó, de revelações bombásticas, coisas explosivas!!
- Cajó: Pois...mas é que essa coisa da violência é só para disfarçar...nós não praticamos a violência, nós repudiamos qualquer tipo de violência e badalhoquice em geral. E já agora, agradecia que me chamasse de Carlos Jorge, é que Cajó é muito "bruto" e eu não gosto. É que sou muito sensível.
- O Hemiciclo: Então mas e as tatuagens, o ar agressivo...para que é isso tudo?
- Cajó (agora Carlos Jorge): Olhe, as tatuagens são daquelas que se lavam. Das que saiem no Bollycao, que é só passar por água e desaparecem.
- O Hemiciclo: Mas Carlos Jorge, desculpe interromper...mas afinal o que faz um tipo como você, todo certinho numa claque de futebol?
- Cajó (agora Carlos Jorge): Ah, mas somos todos assim! Eu explico-lhe: esta ideia das claques surgiu há uns anos bons...eu gostava muito de fazer coleccionismo de revistas de culinária, mas todos na escola me gozavam por causa disso, chamavam-me "maricas", "totó", "cromo" e outras coisas feias... cansado de ser gozado, resolvi juntar um grupo de malta que tal como eu, coleccionava revistas de culinária e resolvemos fundar um clube de coleccionismo de revistas de culinária.
- O Hemiciclo: E foi aí que surgiu a ideia das claques?
- Cajó (agora Carlos Jorge): Foi sim. Quer dizer, ao início eramos mesmo um clube de coleccionismo, a sede era no meu quarto e corria tudo bem, mas apesar de sermos muitos, continuavam a troçar de nós na mesma e foi aí que nos lembrámos de inventar uma coisa onde pudéssemos fazer de conta que éramos muito maus e víris. Onde podiamos trocar as revistas sem que ninguém desconfiasse ou fizesse troça de nós. É aí que surge o futebol e isto das claques.
- O Hemiciclo: E actualmente continua a coleccionar revistas de culinária?
- Cajó (agora Carlos Jorge): Não, não, que com 45 anos já tenho idade para ter juízo. Agora só faço colecção de cartas do Pokemon.
- O Hemiciclo: Então mas se é tudo a fingir, como explica os insultos que proferem uns aos outros durante os jogos?
- Cajó (agora Carlos Jorge): Isso não são insultos. Nós estamos é a falar em código, usando os insultos. É que assim todos pensam que somos muito maus e víris.
- O Hemiciclo: Muito bem pensado de facto. E como explica as agressões fisícas?
- Cajó (agora Carlos Jorge): Isso também é muito giro, pois embora as pessoas pensem que nós estamos de facto em confrontos físicos uns com os outros, o que se passa na verdade é que estamos a trocar cromos do Pokemon. As pessoas pensam que nos estamos a espancar uns aos outros, mas na verdade nada disso acontece. Continuam a pensar que somos víris e não gozam connosco.
- O Hemiciclo: Também está muito bem pensado, sim senhor. Bom Carlos, fico-lhe muito agradecido pelo tempo concedido e pelas revelações fantásticas que nos deu nesta entrevista. Muito obrigado e tudo de bom para si.
- Cajó (agora Carlos Jorge): Ora essa, obrigado eu pela gentileza que o senhor teve ao lembrar-se de mim para esta entrevista e já que fala em revelações, se quiser ler o novo número da Sentinela eu tenho aqui na mala...e desejo do fundo do meu coração que o senhor tenha um óptimo dia e que Deus o guie e ilumine pelos caminhos infíndáveis e por vezes confusos desta grande estrada que é a vida...
E foi esta a entrevista com Cajó, perdão, Carlos Jorge. Não era bem o que esperávamos, mas revelações bombásticas não faltaram...e pelo que parece, as claques de futebol de violentas não têm nada.
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