Acabo de ter o enorme prazer de visionar o novo anúncio da marca de laxantes Imodium (no caso, do Imodium Plus), onde o narrador diz mais ou menos isto: "para aqueles momentos em que a diarreia surge sem se esperar".
Mas ó amigo narrador de anúncios de laxantes, você ainda não descobriu que a diarreia não nos avisa quando vem? Realmente era giro e tal, receber um telegrama ou um telefonema da marota a dizer-nos que vem aí. Mas é que isso nem tinha graça nenhuma, deixava de haver aquela surpresa da chegada da diarreia, enfim, perdia-se o encanto todo dessa coisa mágica que é ficar com diarreia.
"Mas e como seria se soubéssemos quando iríamos ter diarreia, João?" Era mais ou menos isto:
- Então viva sô Engenheiro! Então amanhã podemos ir ver a obra às 16?
- É pá, se calhar é melhor não Tavares, que às 16 vou ter diarreia, de maneira que se for para ir ver a obra é melhor que seja até às 15 que depois vou estar ocupado o resto do dia...
Olhem que se calhar até nem era mau de todo, isto de se saber quando chegaria a diarreia...
Desde que me lembro que sou um tipo que se interessa por muitas coisas e alguns assuntos e temas, sendo que o Espaço é uma dessas coisas, digamos que o Espaço tem um espaço no meu coração (tentativa de trocadilho, sem grande sucesso)! Por isso mesmo, tenho seguido atentamente a mais recente grande aventura do Homem no Espaço. "Ó João! Falas da aterragem da sonda Phoenix em Marte, certo?" - perguntam vocês. E eu: "Claro que não! Mas que ideia! Marte?! É claro como a água que vos falo das casas de banho avariadas da Estação Espacial Internacional (ISS)!! Marte?! Marte ao pé de umas casas de banho avariadas algures no Espaço é um menino de coro!" E vocês, de novo: "E ó João, porque é que nos pões sempre a fazer perguntas parvas que começam sempre por ó João?" Ao que eu vos respondo: "Porque eu é que mando aqui, de maneiras que...é por isso."
Mas voltando ao que interessa, ao que parece o mandrião do sistema de aspiração de urina (ou orina, no caso de cerca de 80% da população portuguesa, com mais de 58 anos) não queria trabalhar e avariou-se. Sabendo nós que no Espaço a gravidade praticamente não existe, é possível adivinhar o que se passaria na ISS. Arrisco mesmo a dizer que a velha expressão "chuva dourada" ganhou todo um novo significado para os astronautas que se encontravam na Estação Espacial. Felizmente, para eles o sistema de aspiração de excrementos, vulgo cocó, estava a funcionar em perfeitas condições. Após cerca de 2 horas e meia de trabalho e três "testes" individuais, concluiu-se que as casas de banho já estavam de novo a aspirar o xixi de forma correcta, de acordo com a NASA. E por falar em NASA, ainda bem para a malta lá do ISS que havia um maroto que percebia de canalização, pois se tivessem que chamar um canalizador ao espaço, ui, ui, faço ideia em quanto é que ficava a deslocação! Ao preço a que os sacanas levam, a NASA tinha que ficar no mínimo um ano sem se meter em "aventuras" pelo Espaço, até recuperar do rombo (ou roubo) a que o canalizador os iria sujeitar...
Mas que texto de merda, pensam vocês... ao que eu digo: Pois é.
Há um anúncio que passa na rádio, alusivo a um laxante que me anda, digamos que a fazer um bocadinho de comichão na orelha esquerda, assim naquela parte de dentro, que ganha cotão. Não é a da cera, é a do cotão. Queria muito lembrar-me do nome do produto mas o trauma que o "reclame" me causou não me permite que tal aconteça. O anúncio é mais ou menos isto: Uma rapariga liga ao amigo a dizer que está presa: "socorro, ai, ai estou presa há 3 dias" (grande momento radiofónico), isto com uma sirene de polícia como som de fundo. O diálogo continua e o amigo, estúpido que nem um cepo, que parece ser o único tipo que não entende que ela está presa sim, mas dos intestinos, pergunta-lhe se precisa de um advogado (grande momento radiofónico II), pensando que ela está no cárcere. Ela diz que não e pede ao amigo que vá à farmácia buscar-lhe o tal laxante. Fim.
Coisas a reter e que fazem pensar neste anúncio:
-em primeiro lugar, acho que nunca ninguém ligou a um amigo(a) por estar "preso";
- depois, também não me parece que haja aí alguém estúpido o suficiente para não entender de que género de "prisão" se está a falar;
- em terceiro lugar: uma pessoa que tem prisão de ventre, pode muito bem ir pelo seu próprio pé buscar o medicamento à farmácia. Se estivesse na situação inversa, aí sim, era uma tarefa complicada...
- e quem é que pede a um amigo para lhe ir comprar laxante?? Hum??
- ponto nº5, este é sem dúvidas um anúncio de merda. A todos os níveis. E se há alguém a precisar de um laxante (mas para o cérebro) são os tipos geniais que o criaram, porque têm o cérebro um bocado "preso";
- e por fim: a famosa expressão "és um amigo da merda" adquire todo um novo significado graças a este fabuloso momento de publicidade.
"E ó João,o que é que se pode retirar de bom neste anúncio? "Perguntam vocês. Ao que eu respondo: nada. Mas obrigado por terem a gentileza de perguntar.
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