Ora, não sabendo cantar nem recitar, tomei a liberdade de celebrar o dia da Poesia de uma forma um pouco peculiar: adaptando o famoso poema de Ary dos Santos - "Os Putos" - para uma versão mais adequada relativamente aos dias que correm. Cá vai.
Os Corruptos
Uma caixa de robalos, chicharros
Um relógio Montblanc, coisa barata
Um negócio traquina, uns barcos
E o Godinho a lucrar, na sucata
O ex-gestor ganha bónus de milhões
Um pardal de gravata, astuto
Que até aldrabou um dos patrões
E vai ser julgado como corrupto
Parecem bandos de pardais à solta
Os corruptos, os corruptos
Banqueiros, políticos, empresários, da alta
Os corruptos, os corruptos
Mas quando a mentira cai
E se descobre a verdade
Sentam-se ao colo do pai
E juram honestidade
Em comissões de inquérito
Nunca sabem de nada
São os corruptos deste povo
A aprenderem a ser boys
Uma licenciatura dominical
Basta um fax e é-se engenheiro
É só saber inglês "technical"
E ter um amigo reitor é bem porreiro
Parecem bandos de pardais à solta
Os corruptos, os corruptos
Banqueiros, políticos, empresários, da alta
Os corruptos, os corruptos
Nota: desculpa lá qualquer coisinha, ó Poesia.

Olá fanecas. Vós sabeis que este indivíduo que vos escreve gosta de analisar as grandes músicas produzidas pelas estrelas mais cintilantes do nosso panorama musical. Já o fiz com a grande Ronalda (aqui) e mais recentemente com o não menos grande André Sardet (aqui), mas nenhuma destas músicas se compara ao que hoje se vai passar. A música que vos apresento chama-se "Vem devagar emigrante" e é uma espécie de segundo hino nacional, uma homenagem sentida que o seu intérprete, Graciano Saga - autor de êxitos como "A melhor avó do mundo", "Deus protega o meu país", "Emigrante, só por ti" e "P'ro ano se Deus quiser" ou ainda "Porque choras criancinha?" - faz a todos os emigrantes portugueses que todos os anos fazem milhares de quilómetros para chegarem ao seu "rico Portugal".
A letra desta bela cantiga começa com um conselho muito sábio que o nosso Graciano dá a todos os emigrantes que viajam de carro para Portugal, alertando-os para virem devagar, atirando de seguida com uma frase do povo, que é sábio e nunca se engana: "mais vale um minuto na vida, do que a vida num minuto". Não satisfeito com a coisa, achando que este sábio conselho possa ser insuficiente, Graciano Saga começa a relatar o drama cruel de um imigrante infeliz que na estrada encontrou a morte e canta assim: "Passou-se no mês de Agosto este drama tão cruel de um imigrante infeliz. Foi tanta a pouca sorte, na estrada encontrou a morte". Atentem no engenho de Graciano Saga que, de forma a arranjar uma palavra que rimasse com morte, troca "azar" por "pouca sorte". Mas ó Graciano, tu sabes que quinar rima com azar, certo? Ora vê lá se assim não fica melhor: "foi tanto o azar que na estrada acabou por quinar". E sendo nós o país das Quinas até calha bem, não? Mais à frente, o nosso artista revela-nos a causa do acidente, desta forma tão linda e singela: "vinha a grande velocidade, foi o sono que lhe deu, o controlo ele perdeu desse carro de maldade". Então ó Graciano, o gajo vem com sono, não pára para esticar as pernas nem para descansar e a culpa é do carro?! Note-se uma vez mais o engenho de Saga, no que a rimas diz respeito. No entanto, este rima é descabida visto que todos sabemos que os carros dos emigrantes da Alemanha (como é o caso) são daqueles Mercedes tipo chaimite e aquilo não quebra assim às primeiras, ó Graciano. Vai mas é pôr as culpas noutro. Mas, continuando, como nas cantigas de Graciano Saga uma desgraça nunca vem só, ficamos ainda a saber que o nosso emigrante vinha a Portugal ver o paizinho que estava doente numa cama de hospital e que só tinha uma coisa na ideia: "o seu paizinho beijar ao chegar a Portugal" sendo que ao saber do acidente do filho, o paizinho "que tanto sofria, nunca mais o filho via, fechou os olhos morreu". Com esta cartada de última hora, Graciano eleva o drama desta cantiga para algo nunca antes visto. No entanto, achando que duas mortes é pouco para apenas uma canção, Graciano Saga dispara: "ele não vinha sozinho, trazia também consigo sua mulher e filhinho. Sem dar conta de nada e naquela madrugada morrem os três no caminho". Outro aspecto interessante neste "Vem devagar emigrante" é o facto de Graciano Saga incluir o teletransporte na sua canção, senão vejamos: primeiro, o artista diz "seu destino acabou por ser fatal numa estrada em Espanha" e pouco depois atira: "Mas tudo foi de repente, partiu de Benavente, o drama aconteceu". É pá, ó Graciano, tens que me dar umas aulas de Geografia...então, o destino dele é fatal em Espanha e de repente já está em Benavente? Das duas uma: ou ele teletransportou-se ou vinha a 1000 km/h e se foi esse o caso é muito bem feito que tenha tido um acidente porque conduzir a essas velocidades é um acto muito irresponsável. Ou então Graciano Saga não conhecia nenhuma terra em Espanha que rimasse com "de repente", também é uma hipótese...mas, para quem pensa que o drama acaba aqui, desengane-se porque há mais, pois o nosso emigrante num "camião foi bater e deu-se o choque frontal". E é o facto de nunca sabermos o que se passou com o camionista que torna esta canção ainda mais dramática e inquietante. Terá morrido? Teria deixado uma mãezinha doente no hospital, cujo último desejo era ser beijada pelo filho? Nunca saberemos...
É por esta canção ( e por outras) que Graciano Saga é considerado por muitos como o cantor da desgraça (a meu ver, só me parece um tipo preocupado) e é talvez, o único cantor do mundo que tem na sua página de internet anúncios publicitários relativos a funerárias e (ou) a produtos de tratamento capilar. Aqui fica o link para a sua página (não oficial), que contém algumas letras deste a e outro para a música "Vem devagar emigrante" no Youtube. Graciano Saga, o homem que passou ao lado de uma grande carreira como coveiro.
Olá minhas caras e meus caros. O que tenho para vos contar não é nada bom. Nada mesmo. Sabem o que é a gripe suína? Tenho algum receio de falar neste tema devido à escassez de informação que os media têm passado acerca do assunto, mas ainda assim vou arriscar porque pode ser que 2 ou 3 de vocês já tenha ouvido falar da gripe suína. Mas não se preocupem que a gripe suína ainda não chegou a Portugal, falei com ela ontem ao telefone e ela não me parece muito interessada em vir para Portugal, há-de vir sim senhor, mas só lá por alturas do 13 de Maio mas apenas e somente por devoção à Nossa Senhora de Fátima e não para nos pôr todos doentinhos. No entanto, apesar da gripe suína ainda não ter "atacado" (nem vai, que ela garantiu-me que não o fazia) o nosso cantinho à beira-mar plantado, há uma variante deste vírus que agora se começa a alastrar (e com tendência a piorar à medida que a campanha eleitoral for avançando) pelo nosso país: a gripe Socratina, que é muito mas muito pior que a suína. Posto isto, se o caríssimo leitor se começar a sentir um bocadinho demagogo, com uma sensação de optimismo inquebrável e com aquela sensação de que vive num país em que a crise quase não se sente, que vamos de vento em popa, se o seu ego começar a inchar para níveis fora do normal e também se se começar a fazer de vitima por tudo e por nada, faça o favor de contactar as autoridades de saúde porque o caso é mesmo grave. E olhem que a gripe Socratina faz a suína parecer uma menina de coro. Fica dado o alerta.
Antes de ir ali, tenho que mencionar uma coisa interessante que recebi no meu e-mail há pouco: um mail do site "Portal Lisboa", cujo título era o seguinte: "Escreve Poesia?". Não, não escrevo, respondo agora aos senhores do Portal Lisboa, mas gosto. E é por isso que vou mencionar o vosso site aqui no Hemiciclo. Por isso e pela ousadia de no respectivo mail vir a seguinte frase: "Temos acompanhado o seu blog, pelo que gostaríamos de lhe dar os parabéns pelo serviço cultural que tem prestado à poesia e à literatura." Isto só pode ser ousadia, ou então enganaram-se no blog. Deviam querer enviar isto ao Pacheco Pereira e foi parar ao meu e-mail. Isto tudo porque nos 512 posts do Hemiciclo, apenas 3 ou 4 foram dedicados à poesia. Ainda assim agradeço a consideração do pessoal do Portal de Lisboa e é por isso que vou divulgar uma coisa muito interessante que esta malta vai fazer: uma colectânea de poesia contemporânea, em parceria com a Chiado Editora. E a parte mais gira é que se vocês acham que têm "jeito" para a poesia podem-se inscrever no Portal Lisboa que eles andam à procura de novos autores. Vá, vão lá ver que não custa nada: Portallisboa.
E desculpem lá a extensão do post. A culpa não é minha, é do Portal Lisboa.
Flagg Miller, professor de Literatura Árabe na Universidade da Califórnia descobriu uma série de poemas da autoria de Osama Bin Laden, ex-líder da Al Qaeda e o maior inimigo dos EUA.
De facto, e por muito bizarro que seja, todos os grandes tiranos sanguinários da História Mundial adoravam poesia, deixando revelar que por detrás daquela imagem de tipo que adora chacinar multidões há uma criatura sensível e que gosta de ler e escrever poemas...senão vejamos: Adolf Hitler era um apaixonado por poesia; Jorge Nuno Pinto da Costa gosta de recitar poemas para os amigos; Robert Mugabe também aprecia esta nobre forma de escrever; o Bin Laden ao que parece também tem veia de poeta; só o George W. Bush é que não se dedica a esta arte. Não porque não seja um homem sensível, não porque não goste de literatura, mas sim porque pura e simplesmente não tem um cérebro, mas sim muito cócó naquela cabeçita.
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