Há dias conversava com um amigo meu sobre a lentidão e falta de vontade que a maioria* dos funcionários públicos revelam na função do seu trabalho. Quem nunca apanhou pela frente uma senhora que apesar de ainda faltar mais de uma hora para o serviço fechar se recusa a atender mais pessoas, enquanto o diz com o ar mais aborrecido do mundo? Ou aqueles que pura e simplesmente engonham, engonham, engonham e nós ficamos horas (ou dias) à espera de uma coisa que é tão simples e os que estão naquele emprego apenas porque têm um primo que se dá muito bem com o presidente da Câmara lá do burgo, mas que não sabem a diferença um computador e um microondas? Tenho a certeza que já todos se depararam com personagens deste cariz. E já pensaram como seria se todos os trabalhadores em Portugal fossem como os da Função Pública? Devia ser assim: Num café: Cliente: Olhe boa tarde, depois era um cafézinho, se faz favor.
Empregado: É um cafézinho, ponto e vírgula. Vamos lá com calminha. O senhor já tirou senha? É que se não, não o posso atender. E não sei se já reparou mas já são 15:20.
Cliente: E?
Empregado: E que já não o posso atender. Nós fechamos às 16:00.
Cliente: Então...mas ainda faltam 40 minutos para fecharem. Um café tira-se em menos de cinco minutos...
Empregado: Para vocês é tudo fácil! O senhor tem 4 pessoas à sua frente e por isso já não o posso atender hoje! Se quer um café, vai ter que voltar amanhã e aconselho-o que chegue bem cedo!
Num restaurante: Cliente: Boa tarde. Ainda tem o Bife à Casa?
Empregado: Ter temos, mas o senhor tem o impresso 3 preenchido, a fotocópia do Bilhete de Identidade e o Comprovativo de Residência?
Cliente: Não...eu só quero comer um Bife à Casa...
Empregado: Mas se o Bife quer comer os papéis tem que ter (olhando para nós com ar de troça)...
Cliente: Mas eu só quero um Bife, é mesmo preciso isso tudo??
Empregado: Ah, e também falta a Declaração de Rendimentos, que com esta crise que para aí anda, temos que ter garantias que o cliente pode pagar...
Numa loja de roupa: Empregado: Pronto, então vão ser estes jeans para a senhora, certo? Cliente: Sim, sim.
Empregado: Então vou entregar-lhe este comprovativo e a senhora daqui a mais ou menos 90 dias vem cá levantá-los, está bem?
Cliente: Então...mas não os posso levar agora?
Empregado: Não, não...temos que enviar uma carta para a sede e só quando tivermos autorização da parte deles é que lhe podemos entregar os jeans. E já agora, são mais 4 euritos, do comprovativo.
Cliente: O quê?! Quer dizer, tenho que esperar três meses por causa de um par de calças e ainda tenho que dar mais 4 euros por causa do raio de um papel?!
Empregado: Regras são regras, minha senhora...
Três pequenos exemplos daquilo que seria sem dúvidas um grande pesadelo para todos nós...medo, muito.
* Escrevo maioria porque também há os que trabalham a sério. Especialmente os que são leitores aqui do Hemiciclo.
é viver num país onde uma pessoa se dirige a uma conservatória do registo civil para renovar o seu B.I (agora Cartão do Cidadão) e não o pode fazer porque segundo os indivíduos que lá trabalham é uma coisa chata e que dá muito trabalho (já tinham feito 15, diziam elas. Porra, quem faz 15 faz 16, digo eu) e como "só" falta uma hora para saírem do expediente não lhes apetece passá-la a trabalhar.