Olá coisas fofas. Ontem à noite, após uma ida ao cinema, para ver mais um daqueles filmes sobre o apocalipse (o 2012, sobre o qual escreverei em breve) deparo-me com algo muito catita: ao passar por uma loja de roupa, vejo na montra as novas melhores amigas das mulheres: as calças pull-up ou anti-celulite (como apregoava o cartaz).
Como se não bastassem as pestanas falsas, as unhas falsas, a base que disfarça todo e qualquer defeito, o Wonderbra, as cintas que disfarçam a barriga, as extensões, agora surge esta pequena maravilha de ganga: calças que tornam todo o rabiosque redondinho e perfeitinho (enquanto estão vestidas, claro está).
Isto é batota, minhas meninas. E da grande. Já imaginaram o que é um indivíduo sair com uma jovem artilhada com todos estes gadgets? Pensa que lhe saiu a sorte grande e quando passam à "fase seguinte", só entre tirar unhas falsas, pestanas, cintas, soutiens push-up e calças pull-up demoram mais tempo do que os preliminares e o acto propriamente dito, tornando aquilo que deveria ser bom numa chatice e tanto.
Já para não falar no trauma que o rapaz pode apanhar, caso as luzes estejam acesas e deparar-se com a sua Cinderela a transformar-se no Shrek (ou na Valentina Torres, que é a mesma coisa) mesmo ali, à sua frente: as mamocas desenrolando-se como uma carpete, à medida que o "suti-mamas" maravilha vai saindo, a barriga a abater, qual iceberge a espetar-se nas águas geladas do Ártico e por fim, para completar o cenário apocalíptico, a derrocada do rabo, assim que são retiradas as calças mágicas e por aí diante.
E pior é se durante a "acção", as luzes estiveram apagadas e no dia seguinte, o jovem acorda e vê - espalhadas pela cama - unhas postiças, pestanas e a lingerie da moça e sinais dela, nada! E nisto (ainda sobre o efeito do álcool), o jovem pensa que está na Twilight Zone e que a moça com quem passou a noite terá sido abduzida por aliens, tendo sobrado apenas as suas pestanas e unhas.
E quando ela aparece, o jovem depara-se com uma rapariga completamente diferente, o que o poderá levar a pensar que o seu estado de alcoolémia era tanto que se terá enganado na rapariga com que era suposto ir para o "bem bom" e tenha deixado a top model especada no bar. Ou então que aquilo é para os Apanhados.
Além de todos estes inconvenientes há um ainda maior que é o de nos andarem a enganar, aparentando ser algo que não tem nada a ver com a realidade.Mas, pior que isso é estarem-se a enganar a vós próprias.
Vá, deixem-se lá de soutiens push-up, unhas e pestanas falsas, calças pull-up e mostrem-nos quem são na realidade, por dentro e por fora. É que nós, quando gostamos mesmo de alguém não precisamos cá de supermodels, apenas de muito amor e carinho, está bem?

João Cacelas
Ainda à "direita", Paulo Portas assumiu recentemente que irá fazer de tudo para impedir que na próxima legislatura a lei da eutanásia seja aprovada. Ó Paulinho das feiras: o menino também anda com esse penteado hediondo na rua e ainda ninguém o impediu de o usar, pois não? E olhe que isso é que é um crime...vá, deixe lá as pessoas morrer com alguma dignidade em vez de andarem a vegetar numa cama de hospital durante anos e anos, ok? Vá lá dar uns beijinhos e abraços a meia dúzia de peixeiras, que é o que sabe fazer melhor.
Nas últimas semanas foi preenchida (e que palavra tão adequada ao tema em questão) uma grande lacuna que se fazia sentir (ou não) em Portugal: finalmente temos um canal porno português, o Hot TV. Mas não me parece que esta coisa do Hot TV vá ter muito sucesso porque vamos lá a ver: os filmes pornográficos de hoje em dia já não têm aquele encanto de outrora, não há um jazz ou uns blues a tocar de forma suave, não há qualquer tipo de história nem sequer envolvência entre os actores, perdeu-se aquela espécie de romantismo badalhoco que era tão característica dos filmes porno dos anos 80 e que ainda dava alguma piada à cena. Eu não sou fã do género pornográfico, mas um bom filme porno dos anos 80 tem maior potencial humorístico do que muito filme de comédia que por aí se faz. Já os filmes porno de hoje em dia não são nada. Há uma tipa com o ar mais bimbo possível, um gajo que parece uma mistura de elemento dos Super Dragões com arrumador de carros e estão ali no fornicanço, como se estivessem a fazer um bolo ou a ler uma revista. Não há uma história nem uma música, a não ser aquela espécie de guinchar que as moças fazem, não há romantismo badalhoco, apenas muita "badalhoquice" pura e dura, suor por todos os lados e meias brancas nos pés dos actores e não me parece que uma pessoa vá pagar para ver um gajo todo nú, com meias brancas a fornicar uma loira oxigenada que está aos guinchos como se o mundo fosse acabar já ali. Pelo menos, eu não. E é por isso mesmo que eu quero fazer uma proposta aos senhores da Hot TV: se realmente querem ter sucesso nesse tipo de filmes façam uma coisa diferente, sem tanta badalhoquice, uma coisa que se pareça com um filme a sério, com drama, paixão, humor, mas onde às duas por três haja fornicanço, afinal é esse o segmento que querem atingir. A primeira sugestão que deixo é adaptar alguns dos clássicos da Disney ao universo pornográfico. Toda a gente veria, nem que fosse por mera curiosidade ou para dar uma risada enquanto o Mickey possui a Minnie à bruta, na parte de trás do seu carro. Assim, deixo aqui algumas sugestões para eventuais filmes. "Pinoca-o":, uma adaptação do clássico "Pinóquio" em que além de Pinóquio e Gepeto temos uma moça chamada Alzira que tem uma tara por meninos feitos de madeira (aqui está mesmo a pedir um trocadilho relativo ao pau, mas fico-me por aqui); "Branca de Neve e os Sete Matulões": nesta adaptação, a Branca de Neve é uma jovem actriz porno em ascensão que faz o melhor oral do Reino. A Bruxa Má, veterana estrela porno ao descobrir (através do Espelho Mágico) que a Branca de Neve faz um oral mais completo que o dela tenta matá-la, oferecendo-lhe um vibrador envenenado. No entanto, Branca de Neve é resgatada por sete matulões senegaleses com quem terá grandes momentos de "porno-badalhoquice"; "Alice no País dos parte bilhas": muito semelhante ao "País das Maravilhas", mas em vez de chá há outro tipo de actividades lúdicas...e como estes, haveria mais para referir como "A Bela e o mastro", "Quem transou com Roger Rabbit", "Robin dos Rabiosques", "Ala, Dino"...mas por ora, fico-me por aqui.
Voltarei em breve com a mesma temática, porque em qualquer filme porno que se preze há sempre uma sequela.
Desculpem lá qualquer coisinha, coisos.

- "Nem acredito que nos estamos a candidatar ao ensino superior! Olha lá, ó Vanessa: como é que se escreve medicina? É com "c" de cão ou com dois "s"?"
- "Ai pá, ó gaja, vais-te candidatar a medicina e não sabes escrever essa palavra? É claro que é com dois "s"!! Daaahh!! Olha, eu na semana passada ainda não sabia escrever engenharia, mas estive em casa a treinar e agora já sei que é com "j" de João e não com "g" de gato!"
- "Pois é...m-e-d-i-s-s-i-n-a. Prontes, já está. E já agora...o que é um aluno ordinário? Eu não sou ordinária nenhuma!"
* Escrevo maioria porque também há os que trabalham a sério. Especialmente os que são leitores aqui do Hemiciclo.
Olá fanecas. Vós sabeis que este indivíduo que vos escreve gosta de analisar as grandes músicas produzidas pelas estrelas mais cintilantes do nosso panorama musical. Já o fiz com a grande Ronalda (aqui) e mais recentemente com o não menos grande André Sardet (aqui), mas nenhuma destas músicas se compara ao que hoje se vai passar. A música que vos apresento chama-se "Vem devagar emigrante" e é uma espécie de segundo hino nacional, uma homenagem sentida que o seu intérprete, Graciano Saga - autor de êxitos como "A melhor avó do mundo", "Deus protega o meu país", "Emigrante, só por ti" e "P'ro ano se Deus quiser" ou ainda "Porque choras criancinha?" - faz a todos os emigrantes portugueses que todos os anos fazem milhares de quilómetros para chegarem ao seu "rico Portugal".
A letra desta bela cantiga começa com um conselho muito sábio que o nosso Graciano dá a todos os emigrantes que viajam de carro para Portugal, alertando-os para virem devagar, atirando de seguida com uma frase do povo, que é sábio e nunca se engana: "mais vale um minuto na vida, do que a vida num minuto". Não satisfeito com a coisa, achando que este sábio conselho possa ser insuficiente, Graciano Saga começa a relatar o drama cruel de um imigrante infeliz que na estrada encontrou a morte e canta assim: "Passou-se no mês de Agosto este drama tão cruel de um imigrante infeliz. Foi tanta a pouca sorte, na estrada encontrou a morte". Atentem no engenho de Graciano Saga que, de forma a arranjar uma palavra que rimasse com morte, troca "azar" por "pouca sorte". Mas ó Graciano, tu sabes que quinar rima com azar, certo? Ora vê lá se assim não fica melhor: "foi tanto o azar que na estrada acabou por quinar". E sendo nós o país das Quinas até calha bem, não? Mais à frente, o nosso artista revela-nos a causa do acidente, desta forma tão linda e singela: "vinha a grande velocidade, foi o sono que lhe deu, o controlo ele perdeu desse carro de maldade". Então ó Graciano, o gajo vem com sono, não pára para esticar as pernas nem para descansar e a culpa é do carro?! Note-se uma vez mais o engenho de Saga, no que a rimas diz respeito. No entanto, este rima é descabida visto que todos sabemos que os carros dos emigrantes da Alemanha (como é o caso) são daqueles Mercedes tipo chaimite e aquilo não quebra assim às primeiras, ó Graciano. Vai mas é pôr as culpas noutro. Mas, continuando, como nas cantigas de Graciano Saga uma desgraça nunca vem só, ficamos ainda a saber que o nosso emigrante vinha a Portugal ver o paizinho que estava doente numa cama de hospital e que só tinha uma coisa na ideia: "o seu paizinho beijar ao chegar a Portugal" sendo que ao saber do acidente do filho, o paizinho "que tanto sofria, nunca mais o filho via, fechou os olhos morreu". Com esta cartada de última hora, Graciano eleva o drama desta cantiga para algo nunca antes visto. No entanto, achando que duas mortes é pouco para apenas uma canção, Graciano Saga dispara: "ele não vinha sozinho, trazia também consigo sua mulher e filhinho. Sem dar conta de nada e naquela madrugada morrem os três no caminho". Outro aspecto interessante neste "Vem devagar emigrante" é o facto de Graciano Saga incluir o teletransporte na sua canção, senão vejamos: primeiro, o artista diz "seu destino acabou por ser fatal numa estrada em Espanha" e pouco depois atira: "Mas tudo foi de repente, partiu de Benavente, o drama aconteceu". É pá, ó Graciano, tens que me dar umas aulas de Geografia...então, o destino dele é fatal em Espanha e de repente já está em Benavente? Das duas uma: ou ele teletransportou-se ou vinha a 1000 km/h e se foi esse o caso é muito bem feito que tenha tido um acidente porque conduzir a essas velocidades é um acto muito irresponsável. Ou então Graciano Saga não conhecia nenhuma terra em Espanha que rimasse com "de repente", também é uma hipótese...mas, para quem pensa que o drama acaba aqui, desengane-se porque há mais, pois o nosso emigrante num "camião foi bater e deu-se o choque frontal". E é o facto de nunca sabermos o que se passou com o camionista que torna esta canção ainda mais dramática e inquietante. Terá morrido? Teria deixado uma mãezinha doente no hospital, cujo último desejo era ser beijada pelo filho? Nunca saberemos...
É por esta canção ( e por outras) que Graciano Saga é considerado por muitos como o cantor da desgraça (a meu ver, só me parece um tipo preocupado) e é talvez, o único cantor do mundo que tem na sua página de internet anúncios publicitários relativos a funerárias e (ou) a produtos de tratamento capilar. Aqui fica o link para a sua página (não oficial), que contém algumas letras deste a e outro para a música "Vem devagar emigrante" no Youtube. Graciano Saga, o homem que passou ao lado de uma grande carreira como coveiro.
Olá coisas fofas (há umas semanas só eram coisos, agora já são fofas, andam a evoluir), estava indeciso entre dois assuntos: as patilhas do Quique Flores, quase ex-treinador do Benfica e outro assunto qualquer e, não desfazendo das patilhas do Quique que também davam pano para mangas, optei pelo outro assunto.
Há dias, tive a honra de me vir parar às mãos um panfleto muito especial: o panfleto da pizzaria "Super AGostos". E , tenho que confessar que esse panfleto mudou toda a minha perspectiva sobre as pizzarias. Para pior. Vamos lá a dissecar este menino como se fosse uma rã estendida na marquesa:
A começar pelo nome: Super AGostos (e sim, o AGostos é tudo junto). Este trocadilho é das coisas mais parvas que o Homem alguma vez inventou. A ideia está lá, a pizzaria é super, pois tem todo um vasto leque de pizzas por onde escolher, mas perde-se por completo quando metem o "A" juntamente com o "Gostos". É que vamos lá a ver, ó malta da Super AGostos: há um mês do ano que se chama Agosto e as pessoas são capazes de confundir com isso...
Já que mencionei todo o vasto leque de pizzas que temos na Super AGostos, ora vamos lá a analisar o menú:
É lá!! Pára já tudo! Na pizzaria Super AGostos têm uma pizza Sibéria. Pois, a Sibéria, essa região extremamente famosa pelas suas pizzas. É por isso e pelo clima tropical que todos os anos atrai milhões de turistas. Andando um bocadinho mais para baixo no menú damos com outro pitéu do catano: a pizza Romanov. Mas espera lá: os Romanov não foram aquela família russa (do czar Nicolau II) que foi brutalmente chacinada em 1918, após a revolução bolchevique em 1917? Tenho uma vaga ideia que...sim. Sim, senhor, comer pizzas com nomes de famílias históricas é muito fofo, mas, de preferência que não tenham sido brutalmente assassinadas ó Super AGostos. É um bocado indigesto. Continuando no belo cardápio da Super AGosto, tenho que destacar a pizza Ribatejo (outra região mundialmente famosa por produzir pizzas) que por mero acaso é exactamente igual à pizza Tata (um lugarejo em Marrocos). Eu realmente sempre disse que o Samouco tinha um ar de Casablanca e a fazer um "remake" do filme homónimo teria que ser no Samouco. Mas, na pizzaria Super AGostos não há só pizzas parvas. Também se homenageia os génios da história: Picasso, Mozart, Zé Esteves, Zé Horta...tudo grandes nomes da história da Humanidade, especialmente os dois últimos. Esses tais de Picasso e Mozart, nunca ouvi falar...
E pronto, coisinhos, se gostaram desta pequena amostra do que é a Pizzaria Super AGostos não percam tempo! Corram como se não houvesse amanhã, que eles aguardam por vós! Há Pizzarias Super AGosto em Torres Novas, Rio Maior, Tomar, Caldas da Rinha...espera lá...Caldas da Rinha? Mas na frente do panfleto diz Caldas da Rainha...embora no verso diga Caldas da Rinha. Olhem, deve ser nas duas terras, pronto.
Agora tenho que ir. Prometo que lá para meados de Junho começo a escrever posts com uma cadência e qualidade muito jeitosinhas, ok?
Olá tsé-tsés, aproveitei que tenho o jantar ao lume para cá vir assassinar saudades e porque tenho umas coisinhas que me andam a fazer uma certa "espécie" no meu cucuruto.
Uma delas, é a nova(?) música do André Sardet. Não sou fã do moço mas também não posso afirmar que o detesto (enquanto cantor, claro está), sou neutro, como a Suiça. A canção em questão intitula-se "adivinha o quanto gosto de ti" e até tem um começo promissor: o rapaz gosta de uma jovem, fala-se em flores, em bilhetinhos, pernas a tremer, enfim aquelas coisas típicas do amor e das dermatoses nas pernas. Até aqui, tudo parece correr sobre rodas e André Sardet resolve passar para o "nível seguinte" e pergunta à sua amada se ela consegue adivinhar o quanto ele gosta dela. Querendo demonstrar que o amor que sente pela moça é estratosférico, Sardet dispara um bonito "gosto de ti desde aqui até à Lua; gosto de ti desde a Lua até aqui". É pá, ó André: o Cosmos é tão grande, praticamente infinito e tu dizes à moça que só gostas dela desde aqui até à Lua? Olha que nos tempos que correm isso é muito pouco, é para aí o equivalente a dizeres "gosto de ti desde aqui até à Brandoa", sendo que na Brandoa até há mais charme e beleza que na Lua. O que devias ter dito era: "gosto de ti desde aqui até aos confins da Via Láctea, até onde o Homem nunca chegará, até ao Infinito e ainda depois disso e daí até aqui para aí umas vinte vezes". Assim, estava bem rapaz. Percebia-se mesmo que gostas da moça a sério e que não a queres só para dar umas pinocadas. É que essa da Lua já não pega. Mas, prosseguindo com a cantiga, receoso de ter dado um passo maior que a perna ao afirmar que gosta da jovem desde aqui até à Lua, Sardet canta "gosto de ti, simplesmente porque gosto", assim como quem diz "vê lá ó minha, não penses que eu estou mesmo apanhado por ti, só gosto de ti porque sim, porque não tenho mais nada para fazer de momento e porque até tens uma prateleira muito bem aviada ". Esta simplificação extrema do que é o amor e do que é o acto de amar eleva a canção de amor para um nível completamente diferente. Aqui, não temos a história de amor dramática, o amor impossível, ardente. Temos o amor simplesmente porque sim. O amor porque coiso, desde aqui até à Lua, desde a Lua até aqui mas só porque coiso. No seu lugar (do amor) bem podia estar uma Morçela de Arganil que não se notava grande diferença. Não estamos na presença de um amor louco mas sim de um tipo de amor com muita cautela, à boa maneira portuguesa: "gosto de ti, sim senhor, mas vamos lá com calminha que também gosto muito de bacalhau com natas e não é por isso que vou andar para aí a fazer maluquices para ter o bacalhau com natas."
Bom, posto isto já estou mesmo a ver qual vai ser o alinhamento do próximo cd do Sardet: "Vou fazer ó-ó simplesmente porque tenho sono"; "Gosto de ti do Dolce Vita Tejo até aqui"; "Falo porque simplesmente abro a boca"; "Gosto muito de ti e de esparguete à bolonhesa também" e ainda o mega hit: "Vivo porque simplesmente respiro".
Para terminar, queria dar aos parabéns ao pessoal do Sapo por ter destacado esta semana (ou na passada) um blogue em que o malandro do "ch" é completamente exterminado para dar lugar ao "x". Axo muito bem que o Sapo ajude a divulgar a língua portuguesa, pois fax-me comixão ver alguns blogues com textos xeios de erros. Viva o Sapo, que defende o uso do "x", essa tradixão tão noxa, tão portuguexa. Xama-se a isto, manter a xama lusa axesa.
Peço desculpa a quem esperava alguma coisa de jeito. Até daqui a uns dias.
Tudo o que é bom acaba sempre. E tudo o que é mau também. Como o Hemiciclo se insere na segunda categoria também terá que acabar. "E quando é que isso será?", perguntam vocês, ao que eu respondo: agora, right here, right now. Exactamente agora.
Depois do anúncio vêm os porquês (não da vossa parte porque para vocês eu escrever aqui ou não é completamente indiferente, mas sim da minha), que são muito simples:
- há muito, muito tempo que andava a pensar nisto;
- escrever no Hemiciclo já não tem o gozo que me dava há uns meses atrás, tornou-se numa espécie de obrigação estranha e um blogue não deve nunca ser uma obrigação;
- gosto muito de vocês e da interacção que isto proporciona mas a escolher entre o Hemiciclo e os trabalhos que tenho que fazer, do curso, obras para a minha exposição, um possível livro, não tenho quaisquer dúvidas em optar pelos últimos e deixar o Hemiciclo para trás porque como vos disse já não me dá gozo.
O funeral do Hemiciclo vai ser amanhã, no cemitério dos Prazeres pelas 10 horas. Quem quiser aparecer será muito benvindo. Quem não quiser também.
E caso interesse a vocês dois, resta-me dizer está a ser desenvolvida uma espécie de livro baseada nalguns posts do Hemiciclo e noutros textos que talvez um dia saia para as bancas, mas isso já não depende só de mim.
E é isto.
O 1º de Maio ficou marcado por duas coisas: a primeira foi o facto de ter sido à sexta-feira e assim o bom do português lá pôde voltar a ter mais um fim-de-semana prologado e a segunda foram as agressões a Vital Moreira, o cabeça de lista do PS às Europeias. Como é que os tipos que estão numa manifestação em defesa da democracia não permitem que o senhor Vital Moreira esteja na mesma rua que eles e que vá cumprimentar os dirigentes da CGTP? É isso que é ser democrático? É que se for, tenho que rever as minhas ideias sobre o termo democracia...
Mas nem tudo foi mau pois parece que também havia manifestantes com bom senso, como comprova esta peça do jornal Público.
Nota: Uma coisa é manifestarmo-nos, comentar, dar a nossa opinião em blogs, jornais, telejornais, etc. Outra coisa completamente diferente é agredir o homem só porque ele tem outros ideais políticos. Também não sou fã do senhor, nem de Sócrates, nem de Durão Barroso mas daí a dar-lhes "tau-tau" vai uma grande distância. Isto não é democracia meus amigos. Lembro-me perfeitamente de um ou dois tipos que usavam ou usam a violência sobre quem tem ideias políticas diferentes das suas. Assim de repente, um chamava-se Hitler e o outro chama-se Robert Mugabe. E que eu saiba a democracia nunca foi o forte deles. E o Vital até é de esquerda. Nem quero imaginar o que teria acontecido se fosse um tipo do PSD ou do PP. Parece-me que nós, portugueses, conseguimos fazer muito melhor que isto, não acham?
Hoje, dia 21 de Abril é o dia de celebração à memória das vitímas do Holocausto em Israel. Numa altura em que os movimentos de extrema-direita voltam a ganhar mais força e a reunir mais simpatizantes, o Hemiciclo resolveu entrevistar um jovem simpatizante desta facção (a)política. Vamos ver:
- O Hemiciclo: Desculpe...é você o Jorge Bruno? O jovem da extrema-direita que vai ser entrevistado?
- Jorge Bruno: Sim, senhor sou eu.
- O Hemiciclo: Devo confessar que estava à espera de outro tipo de pessoa...
- Jorge Bruno: Então porquê? Só porque tenho este ar frágil não posso ser da extrema-direita? Isso é ser preconceituoso meu amigo. E que eu saiba quem é preconceituoso aqui, sou eu. Que sou da extrema-direita.
- O Hemiciclo: Peço desculpa. Mas conte-me Jorge o que o levou a optar pela extrema-direita? Foi o facto de ver cada vez mais os postos de trabalho dos portugueses ameaçados por estrangeiros? Foi a relação que há entre o aumento da criminalidade em Portugal e o aumento da emigração em Portugal?
- Jorge Bruno: Não amigo! Nada disso!
- O Hemiciclo: Não?! Mas costumam ser essas as principais reinvidicações da facção da extrema-direita, certo?
- Jorge Bruno: Sim, é verdade. Mas a razão que me levou a ser da extrema-direita foi por uma questão de aceitação social.
- O Hemiciclo: Como assim?
- Jorge Bruno: Ora vamos lá a ver: como o amigo já deve ter reparado eu reuno todos os ingredientes daquele tipo de pessoa a que se chama de tótó. Tenho esta vozinha que não lembra a ninguém, a minha aparência fisíca também não ajuda, os meus tiques nervosos...
- O Hemiciclo: Continuo sem entender...
- Jorge Bruno: Ora bem, eu sempre fui uma pessoa que teve muita dificuldade em dar-se com as outras e em integrar-se em grupos. Tentei ser hippie mas eles consumiam muita droga e eu gosto cá pouco de brincar com a saúde. Como sempre muita verdura e frutinha. Uma vez por outra lá cometo uma loucura e como um bolo de arroz, mas nada de exageros. Tentei a minha sorte na IURD, nos Elders e mesmo aí faziam troça de mim, fiz parte de um grupo de coleccionadores de atacadores de sapatos mas aí também troçavam de mim. Mais tarde ainda tentei a minha sorte com aquela malta que faz coleccionismo de anilhas de latas de sumo mas até aí me chamavam totó.
- O Hemiciclo: Pois, estou a ver...e onde é que se insere a extrema-direita no meio disto tudo?
- Bruno Jorge: Ora bem, isto da extrema-direita insere-se numa noite em que eu ia a pé para casa e me deparo com dois tipos encapuzados que estavam a espancar à bruta um individuo de tez negra. E nisto, um deles vira-se para mim e diz-me assim: "psst! ó tu, queres dar-lhe uns pontapés? E depois vamos ali ao café beber um copo". Eu fiquei emocionado, porque nunca me tinham convidado para fazer nada na vida. E muito menos para ir beber um copo. E assim foi. Mais tarde, observei que para me integrar no grupo deles bastava dizer mal dos estrangeiros. E foi o que fiz. De imediato me aceitaram como um deles.
- O Hemiciclo: O Bruno Jorge está-me a dizer portanto que o facto de ser da extrema-direita não tem nada a ver com questões nacionalistas ou raciais?
- Bruno Jorge: Nada disso, amigo! Então eu gosto tanto de pessoas de outras raças! São tão simpáticas e prestáveis. Quando as estou a espancar, explico-lhes que não tenho nada contra elas mas que esta malta é a única que me aceita no seu grupo, que não é por serem negros, ou chineses...são pessoas muito compreensivas e afáveis.
- O Hemiciclo: Então o Jorge Bruno não é nem nacionalista, nem racista e xenófobo?
- Jorge Bruno: Ó amigo, já lhe disse que não. Eu só faço isto para poder ter amigos...olhe lá, você tem assim esses olhos em bico...por acaso não é chinês?
- O Hemiciclo: Sou português e chinês. Nasci em Macau, os meus pais são de lá e vieram para cá quando eu tinha 2 anos.
- Jorge Bruno: Ai é? Ora, então dê-me só aqui um minutinho para fazer um telefonema, se faz favor..."tou? Cajó? Então, tudo bem contigo? Olha, estou aqui com um jovem que me está a entrevistar e parece que ele é chinês e que os pais vieram para Portugal trabalhar, roubar os postos de trabalho a portugueses trabalhadores e honestos....o que é que achas de vires aqui com a malta para a gente o espancar um bocadinho? Sim? Daqui a 15 minutos? Está bem então, até logo!"
- O Hemiciclo: Desculpe, mas eu percebi bem? Você ligou ao seu amigo para me virem espancar?
- Bruno jorge: Foi sim. Eles demoram 15 minutos, mais coisa menos coisa. Entretanto se quiser um cházinho, uma laranjada ou jogar às damas enquanto eles não chegam...
- O Hemiciclo (barulho de fuga).
- Bruno Jorge: Então! Onde é que o amigo vai? Vai-se já embora? Possara! Uma pessoa a tentar marcar pontos com os amigos e faz-me uma desfeita destas! E ainda por cima deixou cá a o bloco de notas...olhe o seu bloco, ó amigo! Bem, deixa-me cá arrumar isto e ligar para o Cajó a cancelar o espancamento...
Nota: Tenho que vos confessar que estive para fazer isto em vídeo, talvez ainda o faça, mas tenho que pensar seriamente antes de o fazer pois gostava de manter as feições do meu rosto intactas. É que até gosto delas e tal e dizem que o espancamento aleija.
Até porque me ia dar um gozo do caraças fazer o vídeo, já o espancamento nem por isso. E sei que também iriam achar piada ver aqui o menino a fazer de moço da extrema-direita arraçado nerd.
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